AUTORIDADE LEGAL E AUTORIDADE AUTÊNTICA.

No evangelho de São Marcos, logo no primeiro capítulo fala que "Jesus ensinava como quem tem autoridade" e não como os doutores da Lei. 

Há sempre a autoridade que é exercida em função de cargos, títulos ou que derivam de resultados eleitorais ou que se impõem ditatorialmente ou arbitrariamente. Estava forma de autoridade é a chamada autoridade legal. Impõem-se pela lei, pelo cargo que ocupa e tem que ser obedecida pelos que se encontram abaixo da lei sob pena de sanções, castigos ou restrições.
 
Há também a "autoridade autêntica" que vem da vida da pessoa, de sua moral, de sua coerência.
 
A humanidade toda, mas especialmente o Brasil e suas instituições, sejam elas religiosas, políticas, organizações sociais diversas como associações, clubes, educacionais, sindicais e acima de tudo a família, sofrem de um vazio de autoridade moral, ética e reconhecida. 
 
Temos muita autoridade legal, ditatorial, imposta, roubada, mas que não recebe e nem merece credibilidade por parte do povo. 
 
Há muitas autoridades que exigem respeito, mas não se dão o respeito e não respeitam; há muitos que tem cargos de autoridade; mas cercados de vida escandalosa; há muitas autoridades que cobram dos outros o que eles próprios não fazem ou até fazem o contrário do que exigem. 
 
Há religiosos que ensinam e não vivem; há pais que exigem, proíbem ou impõem quando vivem o contrário. 
 
Sempre que a autoridade que é exercida sem autoridade autêntica, haverá também uma obediência falsa, fingida, disfarçada e a vida vira um jogo de fazer de contas, viram um teatro de mau gosto, vira uma representação. 
 
Esta crise de autoridade que o mundo, a família, as religiões e igrejas e especialmente o cenário político vive hoje é a razão primeira de toda a infelicidade e frustração do projeto humano. 
 
"Ele ensinava como quem tem autoridade". É isso que nos falta hoje. 
 
Os filhos muitas vezes tem vergonha dos pais, as igrejas tem vergonha de seus pastores, os estudantes tem vergonha de seus mestre e coordenações escolares e universidades, os cidadãos têm vergonha de seus governantes. 
 
Há uma ausência de autoridades que tenham unanimidade diante da nação e das instituições. 
 
Falta-nos aquele homem ou mulher que "quando fala, a água para". Aquela autoridade que é respeitada mesmo por quem discorda ou pensa diferente. 
 
Olhemos para Jesus e sigamos os seus passos, imitando seu exemplo de exercício da autêntica autoridade. 
 
 
+ Dom Guilherme Antonio Werlang
Bispo da Diocese de Ipameri-GO